Os números podem mostrar a quantidade, mostram o tamanho como medida matemática, são usados nos sistemas horários, métricos, podem dar ritmo à poesia, à música, à arte e podem servir como símbolos metafísicos, conforme usados por Pitágoras, Platão, Robert Fludd, Isaac Newton etc. Para Platão, por exemplo, no capítulo V do livro As Leis, “…no que se relaciona à vida familiar, à vida política e às artes, nenhum ramo isolado da educação detém uma influência tão grande quanto o estudo dos números”.

Este estudo, a Numerologia, pode ser considerada como uma das ciências esotéricas que busca uma aproximação cada vez maior a realidades superiores. Através do estudo dos números, antigas tradições buscavam a interpretação do mundo, pois este seria o objetivo e a verdadeira meta de qualquer conhecimento esotérico (conhecimento oculto pelos nossos sentidos), bem como poder transformar a própria vida de acordo com uma vontade interna e superior.

Para a linguagem da Numerologia, cada palavra e nome vibra de acordo com um número e cada número tem o seu significado interior, uma verdade interna interpretada por esta ciência. Os Números seriam as primeiras objetivações mentais abstratas, ou como dizia Porfírio, “autênticas realidades” que se exprimem através das formas geométricas, que por sua vez dão origem as formas, aos corpos de todos os seres na Natureza. Estes arquétipos (modelos mentais) numerológicos existiriam antes da objetivação das formas, seriam como formas ideias, padrões já existentes na mente divina que determinam de que forma o mundo material passará a existir.  

Os Números em si representariam princípios universais através dos quais todas as coisas evoluem e continuam a crescer de forma cíclica. Segundo Pitágoras, pai da Numerologia Pitagórica, “todas as coisas são números” e esses representariam entidades espirituais cuja presença é sentida em toda a existência.

Pitágoras aprendeu a linguagem numerológica com egípcios, babilônios, órficos e gregos, até se estabelecer no sul da atual Itália, em Crotona. Ensinava seus alunos através de aulas memorizadas, que buscavam despertar a imaginação e a identificar os simbolismos. Pitágoras afirmava que os Números eram seres e formavam a base e a criação da Natureza.

Do ponto de vista dos 3 mundos, forma grega e romana de observar a Natureza, haveria 3 tipos de Matemáticas:

– A Matemática Arquetípica, ligada a Nous – mundo espiritual – que seriam os Números de Pitágoras, a tradição platônica-pitagórica se refere aos arquétipos numéricos que geram o Universo; uma linguagem usada e realmente entendida por seres Divinos;  

– A Matemática Epistemológica – científica – ligada a Psique (mundo psicológico), a geometria, a ponte entre as outras duas Matemáticas;

– A Lógica, ligada a Soma – mundo físico – o cálculo.

Para os pitagóricos, os números são as essências das coisas, tudo estaria ordenado segundo o Número, assim como a origem do Universo manifestado. Segundo eles, “a harmonia da natureza, feita à imagem da harmonia dos números”. O próprio som seria regido por eles, segundo Helena Blavatsky. Eles regeriam o equilíbrio da manifestação física da Natureza e por esta razão, o Cosmos é uma Ordem, uma Harmonia! Acredita-se que os números e as proporções harmônicas definiriam as primeiras diferenciações da substância homogênea inicial do Universo em elementos heterogêneos. É através da contínua atividade da Unidade ou da Vida Una que todas as coisas viriam à existência.

Através da Numerologia e especificamente da Numerologia Pitagórica, podemos vislumbrar o que os orientais chamam de Pensamento Divino (este Pensamento teria atuado sobre a matéria primordial e gerado a ordem do Universo), as estruturas mentais superiores da Natureza e com isso, podemos recriar ou transformar nossa vida, conectando-a com as Leis da Natureza. Para isso, busca-se o conhecimento da causa dos fenômenos – que seria o verdadeiro objetivo da ciência tradicional ou esotérica – e não apenas os fenômenos em si. Estudar Numerologia seria buscar ter uma visão das leis subjacentes ocultas que se apresentam antes dos fenômenos. Portanto, a Numerologia seria uma destas abordagens esotéricas que busca interpretar esse Pensamento Divino presente em todo o manifestado, a “mente de Deus”, como afirmava Albert Einstein.

Desta forma, busca-se descrever de forma sintética as leis da Natureza e as relações com os fenômenos visíveis. Com o estudo destes princípios ou leis gerais, representados matematicamente, que regem os fenômenos da natureza física, se predizem certos comportamentos e acontecimentos, pois as ciências consideradas “ocultas” sempre visaram ver justamente o invisível em todas as coisas manifestadas, buscaram aprofundar, penetrar no mistério, superar as meras considerações materiais e formais. As ciências ocultas não poderiam ser entendidas através de uma explicação racional ou comprovada com certos instrumentos concretos.

O estudo da Numerologia nos ajuda a ver as coisas com outros olhos. Por exemplo, a pensarmos do porquê uma flor ter um número específico de pétalas? Por que o limão e a laranja têm uma certa quantidade de gomos? Por que as cores do espectro são 7, bem como as notas musicais e os orifícios da nossa cabeça?

Os Números são símbolos e ocultam muitos significados. A Numerologia no Ocidente, legada por Pitágoras, usa o alfabeto com 26 letras e cada letra representa um valor numérico e este, por sua vez, tem um valor vibratório, portanto, uma energia. Ao fazermos a leitura dos números, de um ponto de vista esotérico, do nosso nome, como também da nossa data de nascimento, estamos desvendando os mistérios da nossa própria energia. Assim sendo, conseguimos compreender melhor a nossa alma, entender a nossa própria natureza e de todos os demais, compreendemos nossos desafios, nossos relacionamentos, pensamentos, tendências e ciclos da vida.

 Podemos trazer à tona aquilo que guardamos de potencial, aprendemos a gostar de nós mesmos porque nos entendemos melhor, geramos aceitação e ao mesmo tempo mais vontade para a autotransformação, começamos a nos sentir mais à vontade conosco mesmos. Deste modo, podemos mudar nossa postura interna, modificar as opiniões que temos sobre nós mesmos e com isso, melhorar nossa percepção do Universo que nos cerca, nos sentindo em maior unicidade com o Cosmos.

O Zero, por exemplo, seria o emblema mental do “Todo-Nada”, ou o Uno sem Segundo. Abstrato por excelência, absoluto, representa a causa sem causa, o imanifesto. Para o Hermetismo – sinônimo de esoterismo – a Divindade seria uma esfera em que a circunferência não está em lugar algum e o centro está em todo lugar, ou seja, o centro carece de dimensão, mas estabelece todas as dimensões, tudo converge ao centro do Universo. Seria a Seidade, o onipresente, onipotente, o onisciente. O Zero seria a fonte primordial, o vazio, o não manifestado, seria a unidade oculta simbolizada por um círculo ou pelo Zero.

Já o número 1, o “filho de Deus” (Deus representado simbolicamente pelo Zero), representa a energia do masculino, a energia ativa, um grande Pensamento Divino que se expressa em tudo e em todos. Seria a primeira manifestação abstrata do inefável Zero, gerando o primeiro aspecto do Tempo. A primeira emanação espiritual teria sido uma espécie de Luz nascida da obscuridade.

Já o 2, a energia feminina, energia receptiva da Natureza, representaria a matéria como um todo. E a partir destes dois números, tudo se desenvolveria até o 10, o retorno a Unidade, já que a soma numerológica do 1 e do 0 resulta no número simples 1.

Portanto, a matéria é, afinal, apenas a cópia concreta das ideias abstratas e dos números que serviram de modelo para a manifestação da Natureza. O pitagorismo afirma que o mundo seria composto por matéria e número e usando a imagem de um oleiro, ele necessita do barro, da matéria primordial, bem como necessita da imaginação, isto é, da forma que vive em seus pensamentos: a imaginação neste exemplo representa os Números.

Maurício Bakkar